Mostrando postagens com marcador os nossos poetas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador os nossos poetas. Mostrar todas as postagens

22 setembro 2008

POESIA POPULAR DE S. SIMÃO (IV) - José Hilário (4)

AS ANDORINHAS 
Mal o Inverno tinha acabado
Foram chegando espaçadamente
E, no baixo beiral do meu telhado
Reconstruíram o ninho novamente

Durante a Primavera e o Verão
Ao nascer do Sol e ao Sol-pôr
Foram a orquestra de animação
Dando aos crepúsculos, amor.

Com o aproximar do Outono
Vão preparando a viagem
Já não dormem, não têm sono

São migrantes, sem bagagem
Que partem ao romper do dia
Sem um adeus, cheias de alegria.
  José Hilário
in "Pinceladas de Poesia e Contos da Aldeia"

12 agosto 2008

POESIA POPULAR DE S. SIMÃO (III) - José Hilário (3)

VENTO AMIGO 
Tu! Que cantas alegre nos outeiros
 Refrescas no Verão tardes amenas
 Pões em movimento os veleiros
 Leva para longe as minhas penas

Pões searas com movimentos ligeiros 
Moinhos remoendo mágoas serenas
Semeias secos campos hospitaleiros
Afagas papoilas e açucenas 

Quando no mar alto me fustigaste
E de repente me abandonaste
Eu sei que existes, mas nunca te vi

Pela noite acordas; madrugada
Numa poesia sempre renovada 
Por tudo isto é que eu gosto de ti 
José Hilário

24 março 2008

POESIA POPULAR DE S. SIMÃO (II) - José Hilário (2)

Lágrimas silenciosas
Dantes... quando eu partia
Minha mãe ao despedir-se de mim
Em redor nada se ouvia
Só, silenciosas lágrimas por fim

Ao longo do sinuoso caminho
Até onde a vista alcançava
Sem palavras, soluçando sozinho
Retribuía os acenos, sem palavra.

Agora, se me ponho atrás da vidraça
E penso nisto, baixo os olhos meus
Pelo velho caminho, já ninguém passa

De lá, já ninguém diz adeus
Restam os riachos de puras águas
Onde lavei e enxuguei as mágoas.

José Hilário - Pé da Serra - 12 de Nov. 2001