12 maio 2009

Discurso de José Hilário no 25 de Abril

Discurso proferido no dia 25 de Abril, no Cine -Teatro de Nisa, pelo presidente da Junta de Freguesia de São Simão, José Hilário, em representação da C.D.U.
Exm.º Senhor Presidente da Assembleia Municipal; Exm.ª Senhora Presidente da Câmara; Exm.os Senhores Vereadores; Exm.os Senhores Deputados; Exm.os Senhores Presidentes de Junta de Freguesia; Minhas Senhoras e meus Senhores
A CANTIGA É UMA ARMA
Aqui estamos mais uma vez, de alma e coração, para comemorarmos o 25 de Abril, cada um com a intensidade e o fervor que achar adequados.
Em democracia cada qual escolhe a dosagem que quer utilizar, nada nos é imposto, cada um deve ser responsável pelo que diz e faz. Esta foi uma das linhas de orientação que os Capitães de Abril nos legaram, a par com as famosas:Liberdade; Fraternidade; Igualdade
Liberdade - Não há nada mais precioso do que a liberdade, no entanto esta deve ser exercida com responsabilidade.
Fraternidade – Só depende de cada um de nós exercê-la constantemente com veracidade, não se apregoa aos quatro ventos, pratica-se sem falsas modéstias.
Igualdade – Devemos olhar para este parâmetro, não em termos materiais, mas sim tendo em consideração, que todos somos iguais nos deveres e nos direitos, o que não acontecia antes do 25 de Abril de 1974.
Paralelamente com o Movimento das Forças Armadas, além dos Capitães de Abril, outros elementos houve, também eles relevantes, que deram um contributo precioso, para que o 25 de Abril fosse possível acontecer e que os cravos substituíssem as balas, refiro-me concretamente ao povo português, a homens e mulheres, que tomaram consciência, tendo alguns pago com apropria vida, outros foram presos, perseguidos, torturados, para que nós, hoje aqui, possamos dizer o que nos vai cá dentro, mesmo não estando todos de acordo, como é normal, mas sem medo de discordarmos do nosso semelhante.
Deste povo faziam parte políticos, estudantes, pessoas iletradas, homens e mulheres da cultura, poetas, etc, cada qual lutava como sabia e podia.
O poeta Manuel Alegre algures em África escrevia a “Trova do vento que passa”, que diz isto:
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz
O vento dizia-lhe qualquer coisa, não lhe dizia era o que ele gostava de ouvir, nem quando se daria a mudança de um sistema político totalitário, injusto e ditatorial.
O grande poeta e músico Zeca Afonso, além de muitas outras canções bem cantava: - “Eles comem tudo e não deixam nada”.
Em Abril de 1974, foi como que todas as sementes deixadas na terra seca, às primeiras gotas de chuva explodem. É a força da natureza e da razão. Nada nem ninguém as segura.
Surge o poeta que melhor versejou o 25 de Abril; José Carlos Ary dos Santos com “As portas que Abril abriu”, portas essas que ao longo dos anos se têm vindo a fechar paulatinamente.
Alguns até já afirmam que é liberdade a mais, ora a liberdade nunca é de mais, tem é de se saber usar, outros até já incriminam os Capitães de Abril, chegando até desfaçatez de culparem Vasco da Gama e Pedro Alvares Cabral de serem os culpados da globalização.
Enfim, atiram com tudo o que é de mau para cima dos homens mais ilustres da nossa história.
Para os barões há milhões, para o povo não há tostões.
O Fausto bem canta numa das suas canções: - Assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal.
Vejo com alguma apreensão o futuro do nosso país, não há trabalho para pedreiros, carpinteiros, alfaiates e sapateiros nem para a maior parte dos nossos jovens licenciados, restando-lhes apenas a política, como forma de ganharem a vida, se tiverem padrinhos, vida esta que está cada vez mais triste, pondo a democracia em risco, pois é muito bonito viver em democracia, mas de barriga vazia, embora rime, não deixa ninguém satisfeito.
Estamos a voltar à emigração, que tristeza. A pobreza está a aumentar entre nós. É preocupante. O 25 de Abril não foi feito para isto. O espírito do 25 de Abril tem de continuar vivo entre todos os Portugueses.
-Viva o 25 de Abril
-Viva o concelho de Nisa
-Viva Portugal
25 de Abril sempre!

21 novembro 2008

Quando a net encurta distâncias...

Senhores do Jornal de Nisa:
Meu nome é Omar Ruben TREMOCEIRO, neto de Francisco Carrilho Tremoceiro, quem em vida fora irmao de Adriano Carrilho Tremoceiro, nasci e sou Argentino, mas nos ultimos dias obtuve a cidadania Portuguesa, faz tempo que estou procurando informaçao de meus familiares em Portugal, muito agradeceria voces podam me contatar con Paula Carrilho ou outras das pessoas que reuniramse com motivo do honenagem realizada no passado sábado, dia 1 de Novembro, assinalado uma das ruas da sua aldeia natal, a Vinagra.
Podem ligar comigo pelo correio saosimao@hotmail.com ou tel. XXXXXXXXX
Com meus cumprimentos saludo voces e felicito pelo conteudo do seu site na web e por encher meu coraçao com noticias da minha terra, o Portugal de meu avo.

16 novembro 2008

S. Simão - Olhares da natureza


Duas magníficas fotos de Armando Gaspar com locais da freguesia de S. Simão. Pode ver mais fotos da região em http://armandogaspar.blogspot.com

04 novembro 2008

Nome de Adriano Tremoceiro em rua de Vinagra

Paula Carrilho inaugura Rua de S. Simão
Familiares de Adriano Tremoceiro não faltaram à homenagem
Foi uma cerimónia simples mas repleta de simbolismo, homenagem e saudade, a realizada no passado sábado, dia 1 de Novembro e que reuniu autarcas da freguesia de S. Simão, moradores de Vinagra, amigos e familiares de Adriano Carrilho Tremoceiro cuja evocação e memória fica assinalado em placa de granito numa das ruas da sua aldeia natal, a Vinagra.
A escolha dos dois nomes que agora passam a integrar a toponímia de S. Simão foi feita e aprovada por unanimidade em reuniões da Junta e da Assembleia.
S. Simão foi, justamente, o outro nome escolhido para uma de rua de Vinagra e coube à proponente, Paula Carrilho, descerrar a bandeira da freguesia e mostrar, esculpida no granito, a designação que, ora em diante, a rua passa a ter.

28 outubro 2008

Dia 1 de Novembro- Vinagra e Pé da Serra em festa

O pavilhão gimnodesportivo de Nisa, está solicitado pela Junta de Freguesia de São Simão, à Câmara Municipal de Nisa, para a realização de um encontro de futebol de cinco, para o dia 1 de Novembro (sábado) às 15 horas, entre equipas de jovens descendentes do Pé da Serra, residentes na área da grande Lisboa.
Às 12 horas na Vinagra, será inaugurada com pompa e circunstância, a toponímica das respectivas ruas, sendo atribuídos os nomes de Adriano Carrilho Tremoceiro e de São Simão, a duas ruas da aldeia.
Durante a tarde no Pé da Serra, a Associação de Caça de São Simão oferece a toda a população e visitantes, um delicioso porco assado no espeto, nas instalações do Centro Cultural e Recreativo "Os Amigos do Pé da Serra", associação que, por sua vez, contribui com as castanhas, agua-pé, petiscos e a tradicional bailarada, a cargo de um famoso acordeonista da região.
Sábado, dia 1 de Novembro, a freguesia de S. Simão (Nisa) espera pela sua visita.

27 outubro 2008

DIA 1 DE NOVEMBRO - S. SIMÃO EM FESTA

Inauguração da toponímia da Vinagra
No dia 1 de Novembro, a partir das 10 horas, será feita a inauguração, com o descerramento das respectivas lápides, dos nomes das ruas que passarão a vigorar na aldeia da Vinagra.
Como foi noticiado oportunamente, foram escolhidos os nomes de Adriano Carrilho Tremoceiro, por proposta do actual presidente da Junta, e o de S. Simão, padroeiro da freguesia, este sob proposta de Paula Carrilho, eleita na Assembleia, sendo ambos aprovados por unanimidade em sessão deste órgão deliberativo de freguesia.
O evento servirá igualmente para evocar a figura de um cidadão nascido nesta aldeia, na rua que passará a ostentar o nome de Adriano Carrilho Tremoceiro.
Autarca e cidadão interveniente
O senhor Adriano Carrilho Tremoceiro, nasceu na localidade da Vinagra, freguesia de São Simão, em 1914 e faleceu em Nisa, no Lar da Santa Casa da Misericórdia, em 2006.
Foi funcionário da Companhia Carris de Lisboa, reformou-se ainda novo, tendo regressado ao Pé da Serra e passando de imediato a tomar parte activa do quotidiano desta freguesia e das suas gentes.
Homem culto, afável, amigo de todos, fez parte da Junta de Freguesia de São Simão, após o 25 de Abril de 1974, foi gerente do lagar de Pé da Serra durante vários anos e era uma pessoa que sempre tivemos como referência.
Durante o tempo que residiu com sua esposa, na Santa Casa da Misericórdia de Nisa, legou a esta, algumas ofertas de valor significativo, à boa maneira do fundador, desta prestimosa instituição.
in "Jornal de Nisa" - nº 264 - 8/10/08

Poetas da nossa terra


VEM POR BEM
Quero, já e agora,
Tudo isto aqui
Bem feito!
Vem uma vez por ano
E quando vem,
Só vê defeito.

Os deveres e o direito
São relevantes saberes
Que devemos levar a peito.
Dizes que fazes p´la vida...
E por Ela?
Juras-lhe amor eterno.
Que o teu coração
Mora Nela.

Às vezes bastam uns quilómetros...
O que tens feito por Ela?
Não venhas só quando és chamado,
Para ires à Portela. (1)
Basta que venhas!
Se vieres... Se gostas Dela,
Por cada porta que se fecha,
Abre tu uma Janela.
(1) Portela d`Areia, local ao lado cemitério
João Louro

25 outubro 2008

CONTOS DA ALDEIA

O Sacristão Isaías e o Padre Bonifácio
Ninguém por estas redondezas, tinha um coração maior que o mestre alfaiate. Sempre teve a casa cheia de gente, tagarelando, falando das dificuldades da vida, enquanto ele ia talhando um fato, dando uns pontos num casaco ou ajeitando as bainhas de umas calças de surrobeco ou pondo umas brasas no ferro de engomar. Aprendizes da arte de alfaiate tinha-os em diversos escalões etários, onde cada um ia desenvolvendo e demonstrando as suas aptidões, tendo como principal objectivo, a fuga à picareta e à enxada.
Toda a gente gostava dele e ele gostava de toda a gente. Nunca se zangava, fosse com quem fosse, mesmo quando algum freguês já sem paciência, por não lhe ter fato pronto, o tratava mal, vendo jeitos de ter que ir a ser padrinho com o fato velho.
Como o já lendário e velhote sacristão, foi chamado à presença divina, sem ninguém esperar, o senhor padre Bonifácio ficou sem saber, a quem havia de recorrer para o ajudar nas coisas do céu, pois a maioria do seus paroquianos, mourejavam de sol a sol, no campo, lavrando, semeando, ceifando e debulhando, durante uma semana inteira, folgando apenas aos domingos, pela tardinha.
A única pessoa, depois de muito pensar, que ele encontrou, foi o mestre alfaiate.
Logo que teve oportunidade, entrou-lhe pela porta dentro, depois de uma saudação muito amistosa, disse-lhe ao que o ali o levava.
- Mestre alfaiate, como sabe faleceu há poucos dias, o senhor Pires, amigo e antigo sacristão. -Venho convidá-lo para exercer essa função, pois acho que o senhor é a pessoa indicada e das únicas que está quase sempre disponível, trabalha por conta própria, tem um bom feitio e todo o povo acha que é a pessoa indicada, para o desempenho desta função.
- Oh, senhor prior, peço-lhe desculpa, mas não posso aceitar, não tenho jeito para essas coisas e sinto até algumas dificuldades em acompanhar um funeral.
-Vai ver que, é como todas as coisas, uma questão de hábito. E, além disso, a função do sacristão, não é só ir à frente num funeral com a cruz.
- Além das missas e funerais, temos baptizados e casamentos, onde como sabe, somos sempre convidados de honra, para a mesa grave.
-Pois é, mas eu nem sequer sei rezar um padre-nosso ou uma Ave - Maria.
-Isso ensino-lhe eu, em dois tempos, retorquiu o padre serenamente.
Mestre alfaiate, com estas razões, apresentadas pelo senhor prior ficou indeciso, sem saber para que lado havia de tombar.
Como gostava de beber uns copinhos, e o senhor prior também, talvez não fosse má ideia aceitar e tinha a impressão que se iam dar muito bem.
Quando o senhor prior o visitou pela segunda vez e lhe começou a conversa, ainda arranjou alguns argumentos, mas de fraca convicção, acabando por aceitar.
Sempre foi um sacristão desajeitado, não tinha mesmo vocação para tal função. Enganava-se nos procedimentos, as palavras não lhe saíam com a devida fluência, mas tudo lhe era desculpado devido ao seu bom feitio.
Em Dezembro e Janeiro, em todos os lares da aldeia, era um ritual antigo, proceder-se à matança do porco e à cura dos enchidos respectivos.
Chouriços, linguiças morcelas, paio, farinheiras, mouras, cacholeiras,enfiados em varas compridas no fumeiro, por cima do lume de chão, todos se abanavam quando o calor e o fumo lhes chegavam por perto. Era uma boa altura para fazer uma visita, aos paroquianos mais abastados, quer na fé quer no fumeiro, beber uns copinhos, sem ser de caixão à cova e ainda levar qualquer coisa pró caminho. Era Janeiro, já bem tratados e aviados, em casa da senhora Maria dos Santos, esta enquanto se foi despedindo, escolheu do melhor que tinha no fumeiro, cortou a baraça a duas peças de cada qualidade, meteu-as numa típica bolsa de pano e disse ao senhor prior:
- Faça-me um favor senhor padre Bonifácio, leva esta oferta para a festa do Mártir Santo, em Nisa, que é brevemente.
- Como queira D. Maria, agradeceu e retirou-se, com a “malvada” cheia e os “cágados” quentes.
Durante a semana foram saboreando as iguarias, com um tinto da adega, nunca mais se lembraram da festa do Mártir Santo, mas quando o material ia quase de resto, o sacristão lembrou-lhe: -Senhor prior e o Mártir Santo? Eu tenho a certeza que ele não é apreciador de carne de porco, é preciso é que D. Maria não se vá lá confessar.
Na oficina de mestre alfaiate, reunia-se toda a população, em especial nos dias de chuva, quando não era permitido o trabalho do campo. Conversas sobre as coisas mais simples, que se passavam na aldeia, onde qualquer acontecimento servia de tema e de discussão.
-Isto é que vai aí um tempo, chuva e mais chuva, anda meio Pé da Serra constipado, afirmou o “ti” Artur, homem que mourejava, desde que o Sol nascia, até se por, sendo a chuva o único elemento, que lhe proporcionava estar de costas direitas.
Fosse Domingo ou dia Santo, nunca pôs as botas numa taberna.
-Não bebem, afirmou o mestre alfaiate, se bebessem…
E verdade se diga, nem mestre alfaiate, nem o senhor prior, nunca nas suas vidas se constiparam.
- Essa é boa! Disse o Baptista. Olha, o “barbeta”, chega-lhe bem e ainda ontem cá veio o doutor Carlos Gonçalves a vê-lo. Há dois dias que está de cama.
- Mestre alfaiate, tirou o dedal, deixou ficar a agulha a marcar a manga do casaco, olhou os presentes e afirmou categoricamente! -Isso foi ele que ficou algum dia sem beber.
Risada geral, com alguns comentários de caçoada.
José Hilário

10 outubro 2008

19 de Outubro em Nisa

JORNADA DE PROTESTO CONTRA A EXPLORAÇÃO DO URÂNIO
O MUNN - Movimento Urânio em Nisa Não, com a colaboração da CMN - Câmara Municipal de Nisa, ADN – Associação para o Desenvolvimento de Nisa, Nisa.Com – Associação Comercial do Concelho de Nisa, Terra – Associação de Desenvolvimento Rural de Nisa, Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e Comissão de Ex-trabalhadores da ENU – Empresa Nacional de Urânio, vai promover no próximo dia 19 de Outubro (Domingo), uma JORNADA DE PROTESTO contra a exploração de urânio no Concelho de Nisa.
Assim, entre as 9,30 h e as 11,30 h, no Cine Teatro de Nisa, irá decorrer uma Tribuna Cívica, com a participação da Comissão dos Ex-Trabalhadores da ENU e coordenada pelo CES – Universidade de Coimbra, onde reconhecidos juristas, prestigiados académicos e outras personalidades convidadas efectuarão o balanço e aprovarão conclusões relativamente à exploração de urânio em Portugal, a que se seguirá a Marcha da Indignação até à jazida de urânio situada entre as Freguesias urbanas da Vila de Nisa (Nossa Senhora da Graça e Espírito Santo) e a Freguesia de S. Matias.
Os objectivos de tal Jornada, além da sensibilização das populações locais e limítrofes para os riscos que a eventual exploração de urânio comportará, visam ainda prevenir o País e o Governo, por um lado para o grave impacte que daí ocorrerá, por outro para a incompreensível desconsideração humana que tal decisão pressuporá e, por último, para o facto do modelo de desenvolvimento, investimentos em curso e economia local do Concelho de Nisa e envolvente não serem compatíveis com a exploração de urânio ou quaisquer outras agressões ambientais.

Residentes na freguesia em Excursão a Aveiro

Organizada pela Junta de Freguesia de S. Simão e com o apoio da Câmara Municipal, que cede o autocarro, realiza-se no próximo sábado, dia 11 de Outubro, uma excursão à zona de Aveiro e Ílhavo.
A partida está marcada para as 6,30h no Ribeirinho e a chegada a Aveiro prevista para as 11 horas, havendo um passeio e almoço.
De tarde, a excursão seguirá para Ílhavo para uma visita guiada que incluirá o Museu e loja da fábrica de porcelanas Vista Alegre e capela.
No passeio está previsto ainda uma passagem pela praia de Mira /Figueira da Foz, consoante as condições climatéricas e de horário o permitam.
As pessoas interessadas devem fazer as inscrições até ao dia 8 de Outubro.
in "Jornal de Nisa" - nº 264 - 8/10/08