
Juntou naturais de Pé da Serra e Monte ClaroO campo de jogos D. Maria Gabriela Vieira, vulgo Campo do Sobreiro, em Nisa, foi cenário, no passado sábado, da primeira parte do encontro desportivo e gastronómico, entre naturais e descendentes das aldeias de Pé da Serra e do Monte Claro.
Às 11 horas e debaixo de um sol abrasador deu-se início às festividades, com o pontapé de saída para o jogo de futebol.
Primeiros minutos muito tácticos. Os do Monte Claro, mesmo contando com um árbitro conhecido, não arriscavam, entretinham o jogo a meio campo, à espera de um golpe de sorte que pudesse resultar em golo, através de um contra-ataque.
Os do Pé da Serra pelo contrário, entraram em campo dispostos a “vingar” as derrotas nos encontros anteriores. Via-se, à vista desarmada que a equipa estava bem treinada, física, técnica e psicologicamente, treino a que não deve ter sido alheio o trabalho desenvolvido por António de Almeida Valente, sempre disposto a incentivar e a oferecer uma “pequenina”. Ao intervalo, já os de S. Simão venciam por 2-0 e tinham esbanjado outras tantas oportunidades.
No segundo tempo, Monte Claro entrou com outra disposição no jogo, com maior determinação e acutilância. Reduziram com um golo, a diferença no marcador, podiam ter chegado ao empate e como é habitual quem não marca, sofre. O tempo restante do encontro foi de sofrimento para as cores de Monte Claro que iam ficando mais negras de cada vez que um azougado extremo-esquerdo, à maneira antiga, metia a segunda, a terceira, a quarta, embalava, ia por aí fora e oferecia golos atrás de golos, assim como quem saboreia amoras, aos companheiros vindos de ao pé da serra.
Quatro a um foi o resultado final a mostrar as diferenças entre uma equipa mais jovem, a do Pé da Serra e outra formada à base de veteranos, bons e esforçados tecnicamente, mas sem pernas para as “diabruras” de dois ou três elementos tecnicistas e com futebol para dar e vender.
Acabado o jogo, debateram-se as virtudes e defeitos dos sistemas tácticos das duas equipas, entre uma e outra mini que o calor não perdoava.
Após o banho retemperador, os desportistas rumaram até uma quinta nas redondezas da vila e sentados ao correr da mesa, protagonizaram novos lances de ataque e defesa, às iguarias gastronómicas regionais.
O borrego, as febras, o convívio fez esquecer as peripécias do jogo anterior. Ali comeu-se e bebeu-se, cantou-se o fado, praticaram-se os jogos tradicionais e, sobretudo, fez-se a apologia da antiga amizade entre os habitantes das duas aldeias.
Digno de registo a forma como alguns jovens, a residirem noutros pontos do país e estimulados pelos pais, comparecem e participam neste convívio que se realiza anualmente.
A iniciativa pretende relembrar as décadas de 50 e 60 do século passado, quando os jogos de futebol entre as duas povoações eram muito mais frequentes e o passatempo preferido nas tardes de domingo.
No encontro deste ano, foi lançada a ideia de alterar a data de realização, fazendo-a incidir com as celebrações da Páscoa.
Para além da amizade e do convívio, aspectos sempre relevantes, há outros que não podem nem devem ser descurados e jogar futebol sob um calor tórrido e a horas impróprias pode transformar a festa num pesadelo.
Isto, se nos lembrarmos que em campo havia jogadores com mais de 50 anos e alguns até com mais de 70.




