25 julho 2011

Nova ETAR quase concluída



A Estação de Tratamento de Águas Residuais de Pé da Serra está pronta a entrar em funcionamento, pondo fim a anos de suplício dos moradores que tinham de suportar os cheiros nauseabundos provocados pelo mau funcionamento e falta de limpeza da fossa séptica, à entrada da aldeia.
A nova ETAR com uma capacidade de tratamento de 34 m3/dia foi projectada para servir uma população de 220 habitantes e de acordo com os dados técnicos da obra, o tratamento preliminar será efectuado na Obra de Entrada e será constituído por operações de limitação de caudal, por intermédio de um descarregador de tempestade, gradagem para remoção de sólidos grosseiros, medição de caudal e por fim uma etapa de gradagem e desarenação para remoção de areias, através de um equipamento compacto.
O tratamento secundário numa ETAR por lamas activadas em arejamento prolongado será efectuado num tanque de arejamento, dimensionado para promover a remoção biológica da carga orgânica. Todas as operações que podem ocorrer num processo de lamas activadas, ocorrem, sequencialmente, em espaços diferentes sendo portanto esta tecnologia baseada no espaço físico.
A linha de tratamento de lamas consistirá no espessamento gravítico das lamas biológicas em excesso, num silo/espessador, seguido da sua desidratação utilizando um sistema móvel por centrifuga. No entanto, como medida de segurança foram previstos leitos de secagem que permitirão uma maior flexibilidade na exploração desta instalação.
De acordo com a entidade gestora do projecto, as águas residuais resultantes do tratamento serão descarregadas no meio receptor, o regato que conduz ao Ribeiro do Nizorro, “sem o afectar, respeitando o seu equilíbrio ecológico e o bem-estar da população.”
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 13/7/2011

28 março 2011

Ecos do Passado - Cemitério em São Simão

Sessão da Câmara de Nisa realizada em 15 de Fevereiro de 1940 sob a presidência de José Augusto Fraústo Basso e tendo como vereadores Jorge Luís Caldeira Miguéns e José Carvalhais de Barros Gouveia.

* “Tomar conhecimento de que por portaria de 20 de Janeiro último, publicada no Diário do Governo – 2ª série, nº 33 de dez do corrente mês foi concedida à Câmara Municipal de Nisa a comparticipação do Estado de 30.529 escudos para a construção de um cemitério na sede da freguezia de San-Simão, com a condição de os respectivos trabalhos ficarem concluídos dezasseis meses após a publicação desta portaria no Diário do Governo, e tendo em consideração a grande crise de trabalho rural que existe naquela freguezia e a extrema urgência da referida obra iniciar imediatamente, os respectivos trabalhos em regime de administração directa que é também a forma mais económica de os realizar."

04 fevereiro 2011

NO RASTO DA MEMÓRIA

Condução do Correio para o Pé da Serra – (Sessão de 22 de Março de 1945)
"Pelo presidente foi exposta à Câmara a troca de correspondência havida entre o Município e o chefe da estação local dos CTT, que pretende o interesse da Câmara no sentido da condução de malas para a sede da freguesia de S. Simão seja feita por importância inferior a cinco (5) escudos diários.
A Câmara deliberou que fosse respondido afigurar-se o caso como insolúvel dado que a referida importância de cinco escudos se acha modestíssima.
Mais deliberou Câmara solicitar à Administração dos CTT que a citada condução não fosse reduzida a três dias por semana, continuando, como desde há muitos anos, a ser feita diariamente, pois que, o prejuízo alegado (dois escudos e cinquenta centavos diários) parece não justificar tal diminuição que acarretaria inúmeros prejuízos e transtornos aos povos interessados. "
Até aos anos 70 do século passado, a condução do correio para as freguesias rurais do concelho de Nisa onde não existiam estações dos CTT, era feita, diariamente, por pessoas, que recebiam para o efeito uma gratificação. Os serviços da Mala-Posta, extinta na segunda metade do século XIX, continuavam, com outra designação, a efectuar-se no país rural e interior, com meios de locomoção em tudo idênticos aos existentes no tempo da Mala Posta.
Conheci duas das mulheres que todos os dias, fizesse sol ou chuva, efectuavam o transporte da mala de correio para o Pé da Serra: a tá Mari Ana do Toco e a tá Mari Galacha. Recebiam, em contrapartida, uma bagatela para tamanho esforço, um “passeio” diário, entre Nisa e Pé da Serra e volta, num caminho em terra batida, cheio de pedras, pó e buracos ou repleto de lama no tempo invernoso.
Em época de miséria, cinco escudos e mais alguma coisa que as “montesinhas” lhes davam em troca do açúcar, do remédio ou do avio da mercearia, ajudavam ao precário sustento do lar.
Mas não se pense que os míseros cinco escudos (5) eram pagos de bom grado. Em 1945, alguns meses antes do fim da 2ª guerra mundial, uma carta endereçada pelo chefe da estação dos CTT de Nisa à Câmara Municipal, pretendia que esta se “interessasse” ou movesse influência para que tal serviço fosse feito por um preço inferior.
Na época, tal como agora, a prestação de serviços públicos às populações do interior era visto na base do lucro e a redução ou extinção de serviços, como medida de “racionalização”. A Câmara de Nisa, presidida pelo Dr. José Beato Caldeira Miguéns e tendo como vereadores José Dinis Paralta e José dos Santos Marques de Macedo, não só não atendeu o “pedido” do chefe da estação telégrafo-postal de Nisa como solicitou à Administração Geral dos CTT que o serviço de condução de correio para a sede da freguesia de S. Simão continuasse a ser feito diariamente e se mantivesse, dessa forma o apoio às populações.
Mário Mendes