Toda a sua adolescência e juventude foram passadas no Monte Cimeiro.
Aos 23 anos casou e passou a acompanhar o marido nas suas andanças de ferroviário, por todo este país.
Não frequentou a escola primária na altura própria, pois nesses tempos era frequente as raparigas ficarem a tomar conta dos irmãos mais novos.
Só depois dos sessenta anos é que fez exame da 4ª classe.
Cidadã activa, inteligente e perspicaz é dotada de uma veia poética natura, guardando na memória as quadras que compõe. Eis alguns dos seus versos:
Nasci no Monte Cimeiro
Que fica na encosta da serra
É uma aldeia pequenina
Que pertence ao Pé da Serra
A aldeia já acabou
Já lá não mora ninguém
Quando por lá passo
Sinto-me lá muito bem.
Tenho boas recordações
Do meu tempo de infância
Os serões em família
E as brincadeiras de criança.
Os meus irmãos jogavam à bola
E a minha mãe cozia o pão
Eu ia buscar água à fonte
Com o cantarinho na mão.
Quando era criança
Não escola não pude andar
Cuidava dos meus irmãos
Para a minha mãe trabalhar.
Mas, às vezes sinto-me triste
Por me lembrar do passado
Vejo as casas sem porta
E outras já não têm telhado
Na casa onde eu nasci
Essa ainda está de pé
Tem porta e tem telhado
E também tem chaminé.