12 maio 2009

Convívio entre as freguesias de S. Simão e S. Matias



Realizou-se no dia 1 de Maio de 2009, o nono convívio entre as freguesias de São Simão e São Matias, tendo sempre como principal objectivo recordar os casamentos que se realizaram entre vários elementos destas freguesias, nos anos cinquenta do século passado, no qual o futebol foi o principal responsável por estes enlaces. A organização esteve a cargo da Direcção do Centro Cultural e Recreativo “Amigos do Pé da Serra”, com a colaboração da Junta de Freguesia de São Simão.
Nessa época, trocaram-se ainda entre as populações do Monte Claro e do Pé da Serra algumas representações teatrais, bem ao sabor da época e do agrado de ambas as partes.
O jogo de futebol serve unicamente de pretexto, para anteceder um bom e tradicional almoço, na sede dos "Amigos do Pé da Serra".
Perante uma assistência entusiasmada e fervorosa, desta vez a vitória pertenceu aos "Leões da Serra" por 4-1, tendo mais uma vez, o melhor golo sido apontado pelo ponta de lança João Martinho, da equipa vistante, vindo posteriormente a revelar também os seus dotes como acordeonista em "play back", numa arruada, pelas artérias do Pé da Serra, onde as "saias" tradicionais fizeram com que as mulheres viessem à porta da rua com um sorriso nos lábios, recordar tempos que já lá vão. Um recado para alguns elementos de ambas as freguesias: Qualquer dia, temos de cantar a cantiga “Como a rola ninguém canta”. Talvez para o ano...Está bem?
José Hilário

Discurso de José Hilário no 25 de Abril

Discurso proferido no dia 25 de Abril, no Cine -Teatro de Nisa, pelo presidente da Junta de Freguesia de São Simão, José Hilário, em representação da C.D.U.
Exm.º Senhor Presidente da Assembleia Municipal; Exm.ª Senhora Presidente da Câmara; Exm.os Senhores Vereadores; Exm.os Senhores Deputados; Exm.os Senhores Presidentes de Junta de Freguesia; Minhas Senhoras e meus Senhores
A CANTIGA É UMA ARMA
Aqui estamos mais uma vez, de alma e coração, para comemorarmos o 25 de Abril, cada um com a intensidade e o fervor que achar adequados.
Em democracia cada qual escolhe a dosagem que quer utilizar, nada nos é imposto, cada um deve ser responsável pelo que diz e faz. Esta foi uma das linhas de orientação que os Capitães de Abril nos legaram, a par com as famosas:Liberdade; Fraternidade; Igualdade
Liberdade - Não há nada mais precioso do que a liberdade, no entanto esta deve ser exercida com responsabilidade.
Fraternidade – Só depende de cada um de nós exercê-la constantemente com veracidade, não se apregoa aos quatro ventos, pratica-se sem falsas modéstias.
Igualdade – Devemos olhar para este parâmetro, não em termos materiais, mas sim tendo em consideração, que todos somos iguais nos deveres e nos direitos, o que não acontecia antes do 25 de Abril de 1974.
Paralelamente com o Movimento das Forças Armadas, além dos Capitães de Abril, outros elementos houve, também eles relevantes, que deram um contributo precioso, para que o 25 de Abril fosse possível acontecer e que os cravos substituíssem as balas, refiro-me concretamente ao povo português, a homens e mulheres, que tomaram consciência, tendo alguns pago com apropria vida, outros foram presos, perseguidos, torturados, para que nós, hoje aqui, possamos dizer o que nos vai cá dentro, mesmo não estando todos de acordo, como é normal, mas sem medo de discordarmos do nosso semelhante.
Deste povo faziam parte políticos, estudantes, pessoas iletradas, homens e mulheres da cultura, poetas, etc, cada qual lutava como sabia e podia.
O poeta Manuel Alegre algures em África escrevia a “Trova do vento que passa”, que diz isto:
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz
O vento dizia-lhe qualquer coisa, não lhe dizia era o que ele gostava de ouvir, nem quando se daria a mudança de um sistema político totalitário, injusto e ditatorial.
O grande poeta e músico Zeca Afonso, além de muitas outras canções bem cantava: - “Eles comem tudo e não deixam nada”.
Em Abril de 1974, foi como que todas as sementes deixadas na terra seca, às primeiras gotas de chuva explodem. É a força da natureza e da razão. Nada nem ninguém as segura.
Surge o poeta que melhor versejou o 25 de Abril; José Carlos Ary dos Santos com “As portas que Abril abriu”, portas essas que ao longo dos anos se têm vindo a fechar paulatinamente.
Alguns até já afirmam que é liberdade a mais, ora a liberdade nunca é de mais, tem é de se saber usar, outros até já incriminam os Capitães de Abril, chegando até desfaçatez de culparem Vasco da Gama e Pedro Alvares Cabral de serem os culpados da globalização.
Enfim, atiram com tudo o que é de mau para cima dos homens mais ilustres da nossa história.
Para os barões há milhões, para o povo não há tostões.
O Fausto bem canta numa das suas canções: - Assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal.
Vejo com alguma apreensão o futuro do nosso país, não há trabalho para pedreiros, carpinteiros, alfaiates e sapateiros nem para a maior parte dos nossos jovens licenciados, restando-lhes apenas a política, como forma de ganharem a vida, se tiverem padrinhos, vida esta que está cada vez mais triste, pondo a democracia em risco, pois é muito bonito viver em democracia, mas de barriga vazia, embora rime, não deixa ninguém satisfeito.
Estamos a voltar à emigração, que tristeza. A pobreza está a aumentar entre nós. É preocupante. O 25 de Abril não foi feito para isto. O espírito do 25 de Abril tem de continuar vivo entre todos os Portugueses.
-Viva o 25 de Abril
-Viva o concelho de Nisa
-Viva Portugal
25 de Abril sempre!